sábado, 19 de setembro de 2009

'Top 100 Filmes' - #87: Segredos e Mentiras

(de Mike Leigh. Secrets & Lies, Reino Unido, 1996)

Mote: A vida de duas mulheres distintas se cruzam de maneira surpreendente. Hortense (Marianne Jean-Baptiste) é uma oftalmologista negra que resolve partir em busca de sua mãe biológica, já que cresceu com essa dúvida mesmo sendo criada com dedicação pela sua família adotiva. Sua verdadeira mãe, é Cynthia, uma mulher branca que vive humildemente morando com sua rebelde filha, que trabalha como gari. O contato entre essas duas mulheres, irá trazer uma série de demonstrações de afeto e cumplicidade entre duas pessoas que até se conhecerem sentiam-se incompletas em muitos aspectos.

A Razão: O cinema de Mike Leigh se limita aos retratos humanos de extrema simplicidade. Não há em nenhum de seus filmes, saídas consideradas fáceis no melodrama vigente entre os norte-americanos, que vez ou outra surpreende ao tentar buscar o sentimentalismo desse britânico que agrada aos mais sensíveis. A história corre de maneira descompromissada, o que evita sabermos o que acontecerá de fato no desfecho de suas obras. Uma curiosidade clássica é a do filme 'O Segredo de Vera Drake' que ao ser indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original (em 2005), teve que ser escrito às pressas para atender as regras da Academia. Ou seja, durante todo o processo de produção, os filmes de Mike Leigh não possuem um roteiro pré estabelecido, os atores são livres para esboçar seu trabalho e o próprio diretor/roteirista pode mudar o rumo de seus personagens exatamente na hora em que determinadas cenas estão sendo concebidas. 'Segredos e Mentiras' é o ápice de Leigh, o homem capaz de transmitir emoções simples aos que o veneram. E o simples - nesse caso - é de extremo bom gosto.

Uma Cena-Chave: O contato não só entre mãe e filha, mas quando a última irá conhecer a reduzida família da mãe. As feições de surpresa e até mesmo de indignação no semblante da filha criada com Cynthia é o resumo de todas as reações que poderiam ser esperadas.

Principais Premiações: Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Roteiro Original (de Mike Leigh), Diretor, Atriz (Blethyn), Atriz Coadjuvante (Jean-Baptiste). Ganhador do BAFTA de Melhor Atriz e Roteiro, e indicado a Melhor Filme, Ator (Timothy Spall) e Atriz Coadjuvante. Ganhador em Cannes de Melhor Atriz (Blethyn). Ganhador da Palma de Ouro em Cannes. Indicado ao César de Melhor Filme Estrangeiro. Ganhador do Globo de Ouro de Melhor Atriz/Drama (Blethyn) e indicado a Atriz Coadjuvante e Melhor Filme/Drama. Ganhador do Goya de Melhor Filme Estrangeiro. Ganhador do Independent Film Awards de Melhor Filme Estrangeiro. Ganhador do WGA de Melhor Roteiro Original. Entre outros.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

'Top 100 Filmes' - #88: Elefante

(de Gus Van Sant. Elephant, EUA, 2003)

Mote: O dia segue de acordo com o cotidiano dos estudantes da Columbine High School em Portland - Oregon, seja praticando esportes, lendo um livro na biblioteca, praticando experiências no laboratório, comendo no refeitório ou simplesmente namorando. E enquanto o dia segue aparentemente normal para seus colegas, Alex e Eric aguardam chegarem em casa duas metralhadoras semi-automáticas compradas pela internet. O plano surpreendente, é comparecer à escola com todo arsenal de armas possíveis e provocar uma execução em massa de estudantes e funcionários.

A Razão: A tragédia apresentada no filme já é de conhecimento público, o caso da Columbine School foi um choque que fez com que todo o mundo voltasse para a análise comportamental dos jovens. A grande maestria do filme está na direção perfeita de Gus Van Sant, já que o filme é nada mais que um grande painel onde são mostrados insistentes sequências do dia-a-dia dos personagens, mudando apenas a ótica dos planos. O motivo que leva os estudantes a tamanho ódio ao seu entorno social não é mostrado explicitamente, a não ser por fatores que vez ou outra pulam aos olhos do espectador - a música de som pesado que os personagens ouvem (indicariam rebeldia), o vício em jogos violentos (indicariam um deterioramento da imagem na sociedade), a influência de ideais neonazistas (indicariam intolerância) e - o que pode parecer um incoerência com o possível fator anterior - um beijo homossexual (indicariam bullying). Fato é que o filme tem um clima violento pelo desfecho já imaginado por todos, e a aproximação com os personagens deixa situação ainda mais trágica, mesmo que a imersão trabalhada de Gus Van Sant provoque desagravo em muitas pessoas.

Uma Cena-Chave: A execução do plano terrorista, mesmo sendo trágico e irracional, nas mãos de Gus Van Sant chega a ser poético. Só vendo para entender.

Principais Premiações: Vencedor da Palma de Ouro; Ganhador do prêmio de Melhor Diretor no Cannes Film Festival; Indicado ao César de Melhor Filme Estrangeiro; Indicado ao Independent Spirit Awars de Melhor Filme e Diretor; Entre outros.

'Top 100 Filmes' - #89: Um Estranho No Ninho

(de Milos Forman. One Flew Over the Cuckoo's Nest, EUA, 1975)

Mote: O indolente Patrick McMurphy (Jack Nicholson) encontra mais uma forma de fugir do trabalho: se passar por louco e ser transferido para um manicômio, onde imagina encontrar regalias e uma vida mais ociosa, definitivamente livre de quaisquer responsabilidades. Porém, ao ser internado em um sanatório, ele vê que a vida dura do local nada parece com a vida mansa que ele imaginava estar. Os internos, sofrem as duras normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher), que com sua beleza natural, convence a todos a seguirem suas regras que incluem horários regulares de medicação e comportamento sossegado de todos. Mas McMurphy, sendo o samaritano que sempre foi, tenta induzir os internos a se comportarem de maneira independente e se contraporem com as austeridades das quais são impostos.

A Razão: 'Um Estranho no Ninho' é a obra-prima de Milos Forman, que compõe o capricho de direção, roteiro e produção de um filme que alcança todos os níveis de qualidade que sempre procuramos em um bom filme. O roteiro baseado no livro de Ken Kesey, era o sonho de realização de Kirk Douglas, que chegou a adaptá-lo ao teatro, sendo um fracasso pela falta de compreensão da essência de seu remoque. Jack Nicholson se encontra em seu melhor papel, que não chega a ser um grande elogio, pois é um dos atores mais completos e comprovou seu talento em diversos filmes (é inclusive o ator recordista em indicações ao Oscar). Já Louise Fletcher, de início não me mostrou um trabalho tão supremo a ponto de ser tão premiada, mas no desfecho do filme, a simplicidade de seus traços faciais se transforma em uma verdadeira humanização do terror psicológico, e faz com que sentamos uma estranha sensação de ódio pela personagem. No elenco ainda estão os ainda pouco conhecidos Christopher Llloyd e Danny DeVito

Uma Cena-Chave: Quando Patrick McMurphy tenta enforcar a maquiavélica enfermeira.

Principais Premiações: Ganhou o Oscar de Melhor Filme, Ator (Nicholson), Atriz (Fletcher), Diretor e Roteiro Adaptado, Ganhador de BAFTA de Melhor Filme, Diretor, Ator, Edição e Ator Coadjuvante (Brad Dourif); Indicado ao César de Melhor Filme Estrangeiro; Ganhador do Globo de Ouro de Melhor Filme/Drama, Diretor, Ator, Atriz, Roteiro e Ator Coadjuvante (Brad Dourif); Indicado ao Grammy de Melhor Trilha Sonora (de Jack Nitzsche); Ganhador do People's Choice Award de Filme Favorito; Ganhador do WGA de Melhor Roteiro Adaptado; Entre outros.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

'Top 100 Filmes' - #90: Os Saltimbancos Trapalhões

(de J.B. Tanko. Idem, Brasil, 1981)

Mote: Os já conhecidos Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são contra-regras de um circo cujo proprietário é o ganancioso Barão. A filha dele, a encantadora Karina (Lucinha Lins) desperta o amor de Didi. Mas ela, que também é a patinadora da atração é namorada de um acrobata por quem a maquiavélica domadora de leões é apaixonada. Nesse nicho amoroso, a domadora, juntamente com o mágico Assis Satã, planeja sequestrar o acrobata para assim o pai de Karina arranjar um casamento milionário para ela. A donzela, achando ter sido abandonada, sonha em partir para Hollywood em companhia do quarteto trapallhão, enquanto estes se tornam a maior atração do circo, graças a incrível capacidade de fazer graça.

A Razão: Digo sem hesitar que 'Os Saltimbancos Trapalhões' é o melhor filme dos Trapalhões (mesmo tendo grande apreço por 'Os Trapalhões no Planeta dos Macacos' e 'Os Trapalhões e o Mágico de Orós', todos com intertextualidade de clássicos do cinema). No caso de 'Saltimbancos..', a obra do qual foi baseada foi a peça infantil de Chico Buarque, que também assumiu a inesquecível trilha sonora do filme que não só representa o auge da minha infância como também está na minha mais remota lembrança de quando se esparramar no sofá e assistir um bom filme, se limitava às sessões da tarde quando eram exibidos filmes que onde estivessem o quarteto ou a Xuxa. Hoje, tanto Didi quanto a Xuxa ainda produzem seus filmes em períodos anuais - basicamente nas férias - porém com qualidades que comparados aos clássicos dos anos 80, chegam a serem pífios. Os Trapalhões, graças ao sucesso televisivo, detentinham grande popularidade, tanto é que o filme ainda está entre as maiores bilheterias da história do cinema brasileiro.

Uma Cena-Chave: A apresentação da música 'Hollywood' cantada por Lucinha Lins e os Trapalhões (Ói nós aqui / ói nós aqui / Camelôs, malucos e engraxates / Aproveitem enquanto o sonho é grátis).

Participações em Festivais: XXI Certamen Internacional de Cine pala La Infância y La Juvantud de Gijon, Espanha; XV Festival do Cinema Brasileiro de Gramado; XIX Festival do Cinema Brasileiro no Distrito Federal; Entre Outros.

'Top 100 Filmes' - #91: Minha Mãe é Uma Sereia

(de Richard Benjamin. Mermaids, EUA, 1990)

Mote: Durante os anos 60, Sra. Flax (Cher) e suas duas filhas chegam a uma cidadezinha interiorana. A inconsequência da mãe provoca uma turbulência no meio social da região, em razão de seu comportamento 'perua' e 'cabeça aberta', que também causa a repulsa de sua filha mais velha, Charlotte (Winona Ryder), que apesar de ser judia, sonha em ser freira e toma os cuidados de sua irmã mais nova (Christina Ricci), que almeja ser uma campeã de natação. Charlotte, que vê na irresponsabilidade de sua mãe a causa de todos os fracassos amorosos desta, - e que a partir daí resulta em tantas mudanças de endereço - também inicia a perda de sua inocência sexual ao se apaixonar por um vizinho. Apenas um proprietário de uma loja de sapatos (Bob Hoskins), vê a possibilidade de resolver os problemas de atritos entre mãe e filha.

A Razão: 'Minha Mãe é Uma Sereia' é em suma, uma digna sessão da tarde dos anos 90 (hoje, a obra estaria ultrapassada), aliás foi justamente na programação das tardes da Globo, que assisti ao filme pela primeira e única vez exibido em tv aberta, aos meus 12 ou 13 anos. Daí, foi uma busca em videoclubes até encontrá-lo em um sebo na região da Praça da Sé esquecido numa prateleira empoeirada e um preço de R$1,50 colado na capa. Mas, um filme ser pouco conhecido e um típico 'sessão da tarde' não é um demérito na maioria dos casos. Considero a estória, mesmo com todos os clichês que mais tarde foram usados em todos os filmes em que tem como mote divergências de comportamentos entre mãe e filha, possui um envolvente andamento de situações, e boas atuações das duas protagonistas: Cher, que por mais inverossímil que possa parecer hoje, um dia já foi uma talentosa atriz (e detentora de um Oscar de Melhor Atriz por 'Feitiço da Lua' de 1987) e Winona Ryder, uma das maiores estrelas do cinema dos anos 90, que viu sua imagem deteriorada após declarar-se cleptomaníaca anos depois.

Uma Cena-Chave: O primeiro encontro de Charlotte (Ryder) e seu amor platônico.

Principais Premiações: Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Ryder); Entre outros.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

'Top 100 Filmes' - #92: Um Peixe Chamado Wanda


(de Charles Crichton. A Fish Called Wanda, EUA, 1988)

Mote: Um mafioso planeja reunir uma quadrilha e realizar um grande assalto de jóias em Londres. Dentre os integrantes da quadrilha, está sua namorada Wanda Gerschwitz (Jamie Lee Curtis), uma excêntrica figura de caráter duvidoso que infiltra seu amante Otto (Kevin Kline) na equipe. Os dois fingem serem irmãos e o roubo é executado com sucesso, porém, o casal trapaceiro entrega o restante do bando às autoridades e partem em busca das jóias roubadas, escondidas em algum lugar secreto. A fim de descobrir onde estariam as jóias, Wanda é obrigada a visitar o namorado na prisão e se envolver com o advogado Archie Leach (John Cleese), contando com um único instrumento descoberto: uma misteriosa chave antes escondida no fundo de um aquário.

A Razão: A comédia apresentada neste 'Um Peixe Chamado Wanda' é basicamente a já conhecida por muitos através de Monty Pyton - grande sucesso britânico dos anos 70 -, tanto é que a presença de Jonh Cleese dá o tom característico da série tão vangloriada até hoje por jovens que ainda assistem esquetes do humor pastelão em canais como o Youtube. O filme, possui uma série de sequências verdadeiramente engraçadas, com a autêntica 'comédia de situações' (diferente de Woody Allen, besteirol adolescente ou humor no sense), aqui as tiradas estão apoiadas em personagens caricatos, divertidas cenas de perseguições e atuações impecáveis. Uma curiosa informação: Em uma exibição do filme na Dinamarca, um espectador riu tanto que sofreu uma parada cardíaca, que o levou ao óbito horas depois.

Uma Cena-Chave: O momento em que John Clesse é seduzido por Jamie Lee Curtis, e esta o pede para falar em russo no seu ouvido para assim atingir o orgasmo (ouvir amantes falando em outra lingua é a tara da personagem) é impagável.

Principais Premiações: Ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Kline) e indicado a Melhor Diretor e Roteiro Original; Ganhou o BAFTA de Melhor Ator (Cleese) e indicado Melhor Atriz (Curtis), Filme, Diretor, Ator (Kline) e Roteiro Original; Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia/Musical, Ator (Clesse) e Atriz (Curtis); Indicado ao WGA de Melhor Roteiro Original.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

'Top 100 Filmes' - #93: Fargo


(de Ethan e Joel Coen. Idem, EUA, 1996)
Mote: 1987, na gélida e silenciosa cidade de Fargo - Dakota do Norte, um gerente de uma consesionária (William H. Macy), cada vez mais endividado, formula um plano desesperador: contrata dois mafiosos para sequestrar sua própria esposa, para assim seu sogro, um homem rico, pague uma boa quantia no resgate, que garantirá a solução de suas dívidas. Porém, a ação dos bandidos não sai como planejado e três homicídios ocorrem. É daí que entra em cena a policial Marge Gunderson (Francis McDormand), que passa a assumir a investigação dos crimes enquanto sente os sinais comuns de sua gravidez.
A Razão: O cinema dos Irmãos Coen é pouco convencional e muito polêmico, pela acidez da crítica social de forma subjetiva e pelo humor negro de pouca apreciação. Apesar disso, eles são donos do reconhecimento de serem as mentes mais brilhantes do cinema atual, já consolidado no inquietante 'Barton Fink' de 1992, o destacável 'O Homem que Não Estava Lá' e pelo recente 'Onde os Fracos Não Tem Vez'. Em 'Fargo', os Coen se baseiam em uma história verídica a partir de recortes de jornais. Entretanto, a dose dos aspectos característicos dos Coen está presente, e em sua mais suprema natureza. O elenco, como sempre, está muito bem trabalhado, todos eles nos melhores papéis de suas respectivas carreiras - como no caso de William H. Macy e Steve Buscemi. Mas o destaque fica por conta da expressiva Francis McDormand, que compõe a persona de seu papel com um sotaque carregado. No Brasil, é pouco conhecido o título completo, 'Fargo - Uma Comédia Cheia de Erros', mas que não passa de uma estratégia de divulgação, pois, apesar dos pontos cômicos da história, os trágicos acontecimentos acerca da situação não faz com que seja uma comédia (no sentido de classificação unilateral) propriamente dita.
Uma Cena-Chave: É memorável uma cena que envolve Steve Buscemi e um triturador (sem me comprometer com spoilers).
Principais Premiações: Ganhador do Oscar de Melhor Atriz (McDormand) e Roteiro Original (dos Coen), e indicado a Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Macy), e Diretor; Indicado ao BAFTA de Melhor Filme, Roteiro, Diretor e Atriz; Ganhador do Critics Choice Awards de Melhor Filme e Atriz; Vencedor da Palma de Ouro em Cannes; Indicado ao César a Melhor Filme Estrangeiro; Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia/Musical, Roteiro, Diretor e Atriz; Ganhador do Independent Spirit Awards de Melhor Atriz, Ator (Macy), Roteiro, Filme e Diretor; Ganahdor do WGA de Melhor Roteiro; Entre outros.

sábado, 1 de agosto de 2009

'Top 100 Filmes' - #94: Meninos Não Choram


(de Kimberly Peirce. Boys Don't Cry, EUA, 1999)
Mote: A crise de identidade sexual de Teena Brandon (Hilary Swank) chega ao extremo quando decide adotar o nome Brandon Teena e parte rumo a uma região rural do Nebraska. Adotando uma característica andrógena e enganando a todos que a cercam, Teena inicia um romance com Lana (Chloë Sevigny), a irmã de um de seus novos amigos. Ao descobrirem o verdadeiro sexo do misterioso rapaz que conquistou a confiança de toda a família, a região é tomada por um espiral de violência marcada pela intolerância e homofobia.
A Razão: O trabalho visceral da estreante Hilary Swank é um dos principais responsáveis por toda a carga dramática contida em 'Meninos Não Choram'. Baseado em fatos reais, a história de Teena Brandon nos provoca durante todos os momentos, um inquietante sentimento de que tudo irá dar errado. A partir do momento em que decide adotar uma postura que não condiz com sua natureza, a personagem central decide não possuir critério de senso suficiente, e não mede as consequências trágicas que essas atitudes poderão lhe causar. A direção e roteiro da também estreante Kimberly Peirce faz com que o longa não se torne cansativo, um feito quando os acontecimentos se passam em um região inicialmente calma, e os personagens adjacentes são bucólicos, mesmo tendo vidas desregradas. Chilõe Sevigny, desponta aqui como uma das atuações mais brilhantes daquele ano, perdendo sem motivos o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (a vencedora fora Angelina Jolie por 'Garota, Interrompida'), mesmo após atuar nas cenas de lesbianismo mais entregues do cinema atual.
Uma Cena-Chave: Sequência onde Chiloë Sevigny canta 'The Bluest Eyes In Texas' em um karaokê, momento em que Teena vê pela primeira vez a razão de todas as suas omissões.
Principais Premiações: Ganhador do Oscar de Melhor Atriz (Swank) e indicado a Melhor Atriz Coadjuvante (Sevigny); Indicado ao BAFTA de Melhor Atriz (Swank); Ganhador do Critics Choice Awards; de Melhor Atriz (Swank); Ganhador do Globo de Ouro de Melhor Atriz (Swank) e indicado a Melhor Atriz Coadjuvante (Sevigny); Ganhador do Independent Spirit Awards de Melhor Atriz (Swank) e Atriz Coadjuvante (Sevigny) e indicado Roteiro de estréia (de Kimberly Peirce); Ganhador do Sierra Awards de Melhor Atriz (Swank), Atriz Coadjuvante (Sevigny), Revelação Feminina (Swank), Direção, Roteiro, e indicado a Melhor Filme; Indicado ao MTV Movie Awards de Revelação Feminina (Swank) e Melhor Beijo (entre Swank e Sevigny); Entre outros.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

'Top 100 Filmes' - #95: Quase Famosos


(de Cameron Crowe. Almost Famous, EUA, 2000)
Mote: O adolescente William Miller (Patrick Fugit) pode ser dito como um rapaz de sorte. Com apenas 15 anos, consegue um emprego na Rolling Stones (a bíblia da música) e tem a tarefa de excursionar com a banda Stillwater pelo país, com o fim de formular uma matéria. Mas viajar com uma banda a caminho do estrelato apresenta um cenário que William de imediato não esperava conhecer. Em meio a muitas drogas ilícitas, se envolve com Penny Lane (Kate Hudson), uma groupie ambiciosa que não aceita vias de regras.
A Razão: 'Quase Famosos' é baseado em uma experiência real do diretor Cameron Crowe que também aos 15 anos, conseguiu um bico na Rolling Stones e viajou com o Led Zeppelin em turnê. O filme, funciona em primeiro lugar, como uma auto-biografia que reúne vários momentos e personagens reais, como a própria Penny Lane, tida como a primeira paixão de Crowe. Em segundo lugar, trata-se de um panorama musical nos anos 70, onde o rock declina da paixão para um negócio lucrativo. Em terceiro lugar e acima de tudo, o longa é basicamente uma ode ao rock, escrito por um inveterado por música, que garante a jovialidade do roteiro e a construção de personagens tão destemidos. Vale também pela trilha sonora, que conta com a presença de Led Zeppelin, Black Sabbath, The Who, The Strooges, Deep Purple e Beach Boys, como também a notável e até então vitimada Kate Hudson e a veterana Francis McDormand, que dá o tom cômico de algumas cenas.
Uma Cena-Chave: A sequência onde todos no ônibus, entendiados com a viagem, cantam em coro 'Tiny Dancer' do Elton John.
Principais Premiações: Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original (de Cameron Crowe) e indicado a Melhor Atriz Coadjuvante (Kate Hudson e Francis McDormand) e Edição; Ganhou o BAFTA de Melhor Roteiro Original e Melhor Som, indicado a Melhor Filme e Atriz Coadjuvante (Hudson e McDormand); Ganhou o Critics Choice Awards de Melhor Roteiro Original, Atriz Coadjuvante (McDormand) e Revelação (Hudson), e indicado a Melhor Filme; Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia/Musical e Atriz Coadjuvante (Hudson), e indicado a Melhor Roteiro; Ganhador do Grammy de Melhor Trilha Sonora; Ganhador de Sierra Awards de Melhor Atriz Coadjuvante (Hudson), e indicado a Melhor Diretor, Filme, Cançao ('Fever Dog' de Stillwater) e Atriz Coadjuvante (McDormand); Indicado ao MTV Movie Awards de Melhor Atriz (Hudson), Revelação (Patrick Fugit) e Momento Musical ('Tiny Dancer'); Entre outros.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

'Top 100 Filmes' - #96: Poderosa Afrodite



(de Woody Allen. Mighty Aphodite, EUA, 1995)
Mote: Lenny (Woody Allen) é um típico nova-iorquino, porém desajeitado e curioso. Quando seu filho adotivo completa oito anos, ele decide partir em busca da mãe biológica do garoto, a quem descobre se tratar de Linda Ash (Mira Sorvino), uma prostituta que utiliza o o pseudônimo de Judy Cum em filmes pornográficos de baixo orçamento. Convicto que aquela loira tão linda quanto ignorante não seria a mãe perfeita que pretendia encontrar, Lenny, com seu modo atrapalhado, a ajuda a abandonar a vida de luxúria até julgar o momento certo de apresentá-la ao filho. Tudo isso com participações esporádicas de citações gregas em um anfiteatro antigo.
A Razão: Esse sendo o 25º filme de Woody Allen, já ilustra o diretor já com o título de um dos maiores cineastas de sua geração (se não o maior). E 'Poderosa Afrodite' tem todos os elementos que o fizeram formular tal título: Nova York, trilha sonora serena, humor genuíno, um roteiro bem amarrado, e uma musa destacável. Aliás, a musa em questão é nada menos que Mira Sorvino, no papel de sua vida, que não só a revelou como lhe garantiu um Oscar, e depois disso, como muita vítimas da 'maldição do Oscar', nunca mais teve destaque. O filme traz uma série de situações engraçadas (àqueles que são a favor do humor de Woody) como um tratamento dramático, pois se trata da mãe de uma criança que o abandonou por razões que serão reveladas no filme.

Uma Cena-Chave:
  • (Simulação de um momento do diálogo entre a prostituta e o pai adotivo metido a investigador.)
  • Lenny: Você não tem medo, de por acaso, sei lá...num de seus programas, um cliente lhe matar?
  • Linda Ash: Ah não... eu cobro adiantado....

Principais Premiações: Ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Mira Sorvino) e indicado a Melhor Roteiro Original (de Woody Allen); Ganhou o BAFTA de Melhor Atriz Coadjuvante (Sorvino);Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante (Sorvino); Indicado ao SAG de Melhor Atriz Coadjuvante (Sorvino), Indicado ao WGA de Melhor Roteiro Original (de Allen); Entre outros.